sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O Jazz Suave

O Jazz da banda Spyro Gyra parece inspirado por uma sinfonia da natureza, onde cada peculiaridade sonora retransmite sensações complexas, como se existisse, além de um simples arranjo moldado às mãos humanas, algo de divino, metafísico.



Sem querer ser chato, mas já o sendo para aqueles que não conhecem o alcance do Jazz Suave - melhor ainda, para aqueles que não conhecem o real alcance da música em si - venho sugerir-lhes que transcendam à nossa existência banal, especialmente à experiência musical banal, que adentrem, manifestamente, à experiência melodiosa consentida pela música complexa trazida a nós pelos acordes bem trabalhados e emocionalmente bem construídos da banda Spyro Gyra.

Sua transcendência espiritual solene, pelos arranjos harmônicos e inteligentemente moldados à cognição de forma austera e serena, fazem-nos adentrar a uma nova fase de nossas experiências, como que se pudéssemos perscrutar o segredos das emoções, como se capaz fôssemos de sobrevoar as ondas psicológicas que fizeram desses músicos verdadeiros arquitetos sonoros dos sentimentos humanos.

Suas experiências terrenas especialmente trazidas a nós por meio de suas traduções musicais personalíssimas fazem-nos crer na transmissão perfeita das emoções entre humanos, única e exclusivamente através da música.



[OBS: Post editado com plano de fundo da música Morning Dance, da banda acima grafada Spyro Gyra. Ao fim desta página você pode conferir a música na íntegra.]

* Os créditos da imagem eu fico devendo, se alguém conhecer o artista pode entrar em contato comigo pelo email.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A consciência filosófica de Austrides

Os devaneios da vida entorpecem à mente iluminada com a rajada de um trovão fugaz. Seus olhos parecem entorpecidos pela demonstração universal dos ciclos circulares, temporais e atemporais, alcançáveis pelos sentidos ou não. Ressentido pela ausência da experimentação infinita, alcançável apenas pelos espíritos sem-plano, encoraja-se a superfortalecer seu aparato parco com a magnificência do que lhe foi dado, como que por treinar seus dotes humanos. As estúpidas vozes celestes de outrora já não lhe tocam como antes. Sua alma está endurecida pelas experiências terrenas, impedindo-lhe de viver uma vida sociável, suas entranhas cognitivas já não suportam as simples verdades cotidianas. Algo mais há que lhe se transparecer. Espera à toa por horas e horas, já crente de que o tempo é uma ilusão sem contornos, uma estrada sem limites. Enfim, se lhe mostram as verdades absolutas, mas ainda enevoadas pelos pensamentos frágeis que sua experiência humana lhe é capaz de envelar.

Catálises universais do tempo, da vida, dos planos materiais e da infinda paz lhe parecem demonstrações impuras do espírito-que-nunca-dorme, fazendo-lhe perder a paciência e adormecer, com esperança de que a revoada do plano físico para o dos sonhos lhe mostre a real transfiguração do que almeja conhecer - a pergunta básica dos pensadores sábios já não lhe apetece: qual o sentido da existência?! Não, isso já conhece, ele quer mais! Mais do que essa passagem nesse mundo tão mesquinho pode lhe oferecer. Ele quer tudo saber, mas desde já deve assegurar-se de que não é tarefa fácil: embora esse plano lhe dê vantagens em relação a alguns outros e desvantagens com relação aos demais, nunca é demais afirmar que somente a soma de todos os erros, acertos, de todos os planos - sem deixar de ter-se por conta que, de cada plano, deve-se tomar por todo a experiência de cada espécie, e, dentro de cada espécie, a soma de todas as anotações cognitivas peculiares - é capaz de tornar real, palpável, sua ilusão, por agora, efêmera: a possibilidade de, com uma capacidade extrema, tomar por conta todos os dados do Universo, como os humanos (como si, mas não como o que será), que costumam vangloriar-se, equivocadamente, da capacidade de tal, como seres perfeitos, feitos à semelhança do Deus-Pai, que nada (com o perdão da palavra) mais é que a soma de TUDO, em perfeita harmonia (que inclui a APARENTE desordem), circular, como o é a perfeição. [A propósito, o círculo é o máximo que a mente humana é capaz de absorver da perfeição em que se foi criada, o que lhe parece um cavalo de Tróia ofertado dos seres anaplanados à nossa espécie, tal qual um "gracejo sem-graça", repleto de ironia e sarcasmo, que conhecemos tão bem, como que uma demonstração de superioridade de sua parte, o que, de verdade, é real]

Ao fim de tanta demora, ao amanhecer, corre ao seu caderno de anotações e averbera suas conclusões, ainda tocadas pela dúvida, longe da certeza que espera receber tão logo:

- Ranhuras no processo de experimentação da existência são como ralos que escorrem o sangue da guerra que os seres escurecidos teimam em travar, esperando nada mais que a abreviação de sua passagem. São, inteligivelmente mais facilmente absorvidas, buracos negros, gaps, que sugam todos os dados universais transpostos à sua frente sem que lhe sejam filtrados pelos sentidos que não possuem, só sendo possível sua experimentação pela absorção das diversas experiências sensoriais que os ciclos são capazes de forjar. A vida terrena nada mais é que uma dessas fases.

[continua...]